domingo, 20 de julho de 2014

EU!


EU










CERTA VEZ UM MESTRE CONVOCOU SEUS DISCÍPULOS PARA UM MOMENTO MUITO AGUARDADO: NOMEAR O SEU SUCESSOR. PARA TANTO, O DISCÍPULO PRECISAVA SE MOSTRAR MERECEDOR, MAS COMO O MESTRE RECONHECIA EM TODOS QUALIDADES ADMIRÁVEIS EXIGIU UMA UNICA CONDIÇÃO: AQUELE QUE SOUBESSE   O VERDADEIRO NOME DO "SENHOR DO MAL" SERIA O ESCOLHIDO. CLARO QUE OS DISCÍPULOS SE EMPOLGARAM, NO ENTANTO, A CONDIÇÃO PARECIA FÁCIL DEMAIS, AFINAL, FORAM  ANOS DE PRIVAÇÕES, DE LABUTA, AUSTERIDADES, ESTUDOS E MEDITAÇÃO. E COMO TODOS JULGAVAM SABER ALGO TÃO ÓBVIO, O MESTRE TERIA QUE CONCEDER A SUCESSÃO A TODOS!
CHEGADA A HORA DA GRANDE PROVAÇÃO, CADA DISCÍPULO PROFERIA COM ERUDIÇÃO E PROPRIEDADE  NÃO APENAS UM NOME, MAS UMA LISTA:  SATANÁS, LÚCIFER, ASTAROTH, BELZEBU, AHRIMAN,  APOLLYON, DIABO, LEVIATAN, BILE, ABBADOM, SAMAEL, DENTRE TANTOS OUTROS QUE NEM MESMO O PRÓPRIO MESTRE OUVIRA FALAR. MAS PARA A PERPLEXIDADE E DECEPÇÃO DOS DISCÍPULOS, NENHUM DOS NOMES PARECIA CORRESPONDER AO VERDADEIRO, POIS O MESTRE NÃO REAGIU FAVORÁVEL EM MOMENTO ALGUM, ATÉ QUE EM MEIO AO CLIMA MISTERIOSO, UM CANDIDATO AO DISCIPULADO QUE NÃO FAZIA PARTE DO SELETO GRUPO ERGUEU O DEDO E MUITO TIMIDAMENTE DISSE: “EU”.
ENTÃO O MESTRE SORRIU E DISSE: BEM AVENTURADO OS QUE CALAM,PORQUE DELES É A SABEDORIA.
E ELE PODE, FINALMENTE, DESCANSAR EM PAZ







sábado, 19 de julho de 2014

O SENHOR DOS SENHORES!





ASSIM ESCREVEU UM SÁBIO SUFI:

“EM NOME DO EGO DE TODOS OS MILHÕES DE SERES HUMANOS DESSE MUNDO, EU DIGO: EU SOU O MELHOR, EU TENHO SEMPRE RAZÃO, MINHA VERDADE É A MAIOR, MEUS BENS SÃO OS MELHORES, MINHA SABEDORIA É MAIOR, MEUS FILHOS SÃO OS MELHORES, EU SEMPRE TENHO RAZÃO, O OUTRO ESTÁ SEMPRE ERRADO, EU ESTOU SEMPRE CERTO, NINGUÉM FAZ MAIS DO QUE EU, NINGUÉM FAZ MENOS DO QUE EU, MINHA DOR É MAIOR, MEU SOFRIMENTO É MAIOR, MINHA RELIGIÃO É A MELHOR, MEU MESTRE É O MELHOR, MINHA CONSCIÊNCIA É MAIOR, MINHA DOR É MAIOR, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI...”

Muitos nomes...um único ser!




MUITOS NOMES...UM ÚNICO EU!






O DIABO, O CAPETA, O CAPIROTO, O SATANÁS, O DEMÔNIO, O CÃO, O QUE RI DE LADO, O COXO, O SONSO, O PADRE DE SAIA, O DUBÁ DUBÁ, O COISA RUIM, “AQUELE”, O SENHOR DA ENCRUZA, O DEMO, O BODE, O ESQUISITO, O QUE NÃO PISCA, O PÉ DE BODE, O SOMBRIO, O DO MAL, O CRAMULHANO, O CHIFRUDO, O CARRAPATO, O QUE SUSSURRA, O INTRIGUENTO, O PAI DO JUDAS, O SEM ANJO DA GUARDA, BELZEBU, O TREVOSO,O MENTIROSO, O LADRÃO DAS ALMA, O EXCOMUNGADO, O PEDRO BOTELHO, O COSPE FOGO, O ESPINHENTO, O INVEJOSO, O QUEBRA-CRUZ, O RISONHO, O CABRUNCULO, O ZÉ PEÇONHA,O SINISTRO,  O INDECENTE, O LÚCIFER, O DRAGÃO DO MAL, O BAFENTO, O QUE ANDA “PRA TRÁS”, O ASMODEU, O ESPANTA CARRANCA, O CAPA PRETA, O ESCONDIDO,O UNHA PRETA, O ANJO SEM ASA, O RABUDO, O ROUBA HÓSTIA, O OLHO NEGRO, O DE VERMELHO, O TRÊS PERNA, O CAÍDO, O RANHETA, O PRÍNCIPE DAS TREVAS, O COBRA, O CONVINCENTE, AQUELE QUE DÁ COM UMA E TIRA COM A OUTRA, O SEM LUZ, O DESBOCADO, O DEBOCHADO, O DAS PROFUNDEZA, O PÉ DE PATO, O ENXOFRENTO, O DA CARTOLA...UFA! EU NÃO SABIA QUE O EGO TINHA TANTOS NOMES!!! 








segunda-feira, 9 de junho de 2014

A Hierarquia dos Anjos e a Humanidade (revisado e ampliado)

A HIERARQUIA DE ANJOS E A HUMANIDADE (Parte 1)





Todas as tradições Místico-Religiosas do mundo concordam sobre a existência de seres responsáveis pela intermediação entre o Plano de Deus e o Universo manifesto. Para os hindus, a totalidade desses seres é chamada de Reino Dévico (da raiz Div, brilhante, donde se origina Deva), para a tradição mística persa são os Djinas (gênios), enquanto que para as tradições Judaico/Cristãs são os Anjos (de Angelus, mensageiro). Genericamente são cunhados como “Deuses”, e na antiguidade quase toda aparição de ordem celestial era interpretada como angelical. Claro que nem sempre isso condizia com a realidade...

Segundo a Teosofia (baseada na Gupta Vidya Védica) os Anjos conformam um Reino da Natureza à parte, que segue uma linha evolutiva distinta, porém, paralela à Humana. Esses dois Reinos se diferenciam no que tange ao seus respectivos propósitos dentro do esquema evolutivo Divino: Enquanto que a corrente Humana segue o caminho do livre-arbítrio  e da racionalidade (submetida ao karma),  o Reino Dévico obedece aos ditames Divinos, dotado de uma inteligência servil às idéias matrísticas que geram a natureza visível e invisível da vida. São obreiros, mediadores, artesãos da forma, mantenedores dos princípios e dos fenômenos da engrenagem existencial. Na tradição Cabalística são os reguladores da "Seiva Divina" (Inteligência Criadora) que flui pela Árvore da Vida (nosso universo em sua conjunção de planos de consciência/dimensões). 


Como é um tema  vasto e complexo, não vamos sair do permitido para uma introdução. Mas é importante fazer uma observação:  A Hierarquia Devica/ Angelical é vastíssima e em grande parte desconhecida. O que se sabe em meio aos ensinamentos mais profundos legados pela Teosofia, é que algumas das Entidades mais elevadas desse Reino são "emanações" da "Mente Divina", ou seja, não vieram de um ciclo evolutivo de "involução e evolução", mas antes, foram "projetadas" pela Mente Divina para agirem como seus imediatos na sustentação e direção do Plano Maior(sobre o qual falaremos em tópico futuro). Outra informação revelada por Alice Bailey na monumental obra "Tratado Sobre o Fogo Cósmico", diz que existem os Devas Solares( que vivem na contra parte etérica do Sol) e os Devas Extra-Solares,pertencentes a outras Estrelas, nomeadamente Sirius e Arcturus. Essa esplendida Hierarquia, apesar de parecer distante da nossa realidade imediata, é a responsável pela ordem e pelo equilibrio de todo o sistema sideral no qual vivemos.  São essas potencias que equalizam as tremendas forças que circulam pelo universo para que atuem sobre sistemas ainda frágeis e em formação, permitindo que os Poderes Cósmicos de Fohat(Eletricidade primordial, vontade) e Kundalini(Fogo Criador, atividade) galvanizem as Ideias e a substancia Puras que servem de base para a manifestação do MahaPrâna (Consciência que vitaliza, Coesão).




Representação de um Deva


Cabe esclarecer que a palavra DEVA possui um significado muito amplo dentro do Hinduísmo, e tanto é empregada para designar os Anjos propriamente ditos como também os espíritos da natureza.  É um adjetivo comum para expressar uma gama muito vasta de "Deuses" maiores e menores. Por exemplo: Pensemos numa majestosa e everéstica Sequoia. Essa Arvore colossal surgiu de uma Ideia da Mente Divina e foi obrada por hostes de espíritos da natureza que respondem, desde a consubstanciação atômica da mesma, até às suas cores e demais características. Pois bem, existem "Deuses" que são a manifestação da "Ideia Sequoia" (ou orquídea/ouro/diamante,etc), algo como uma forma-pensamento que guarda em si todos os códigos formativos da espécie. Esse Deus/Deva da Sequoia pode ser visto abrangendo toda uma floresta de Sequoias, com uma réplica em cada membro. A esse Deva vários espíritos da natureza estão subordinados, cooperando para que aquela espécie possa existir como manifestação da Ideia original e do Arqui-Deva que abrange todo Reino Vegetal. 






Sobre os espíritos da natureza cabe esclarecer muito resumidamente que esses pertencem a mesma linha evolutiva dos Anjos/Devas Maiores,e na verdade, todo Anjo foi um elemental, de modo que todo elemental caminha para se tornar um Anjo/Deva Maior. Os espíritos da natureza são as forças operacionais dos elementos, quase que a Alma desses. São forças coletivas submetidas aos seus regentes Devicos Superiores; e para cada região/hemisfério do planeta assumem formas distintas, ainda que a "qualidade" do observador determine como são vistos(isso para quem é dotado da visão apropriada). 

Os ensinamentos teosóficos postulam que os Reinos da Natureza são "escolas" que proporcionam diferentes níveis de aprendizagem para que as Monadas* em evolução alcancem o máximo de consciência, domínio e realização que cada escola possibilita. Atingido o nível máximo de complexidade e resposta possível num dado Reino, a Monada transmigra para o seguinte levando o anterior no seu interior . A evolução sempre transcende e inclui as formas e princípios anteriores. As especies mais esmeradas, belas e complexas de cada Reino são os seus representantes mais evoluídos, de modo que os cristais são para o Reino Mineral o que um Buda é para o Reino Humano. O mesmo vale para os grandes carvalhos, sequoias e orquídeas(dentre outros) no Reino Vegetal. 

Quando a Monada migra para o Reino animal  ela se depara com sete linhas/ bifurcações evolutivas: Devica, Humana e mais cinco linhas, das quais nada foi dito,salvo que o Reino Funghi(dos Cogumelos) pode ser uma delas. Os mamíferos seguem a linha de evolução que culmina no Quarto Reino(Humano), enquanto que os peixes, insetos, anfíbios, pássaros, aves  e demais espécies marinhas( esponjas, cefalópodes, etc) seguem para a linha Devica através dos espíritos da natureza. Parece que certas espécies de Cetáceos (nomeadamente os Golfinhos, sobretudo a subespécie Tursiops Truncatus, o famoso Flíper) podem pertencer a uma das outras linhas evolutivas (há quem diga que os Cetáceos são formas utilizadas por Inteligencias de Sírius aqui na Terra para captar, especializar e manifestar um tipo especial de Força Supra-terrena). 

Mais informações sobre os elementais estarão disponíveis em outro tópico,pois consideramos de extrema importância elucidar questões pertinentes ao assunto tanto para desmistifica-lo e pontuar a seriedade que o mesmo encerra, como também para alertar sobre os perigos de invoca-los indiscernidamente por meio de rituais extremamente perigosos.





Cada Reino da Natureza possui um Deva-Raja(Rei), um "Deus" que é o somatório arquetípico de todas as formas relacionadas ao seu Reino particular. É dito que o Deva-Raja mais perfeccionado  dentro do sistema atual é o do Reino Vegetal, o que se justifica por tudo o que esse Reino possibilita para a vida do Planeta e dos Reinos subsequentes: fotossíntese, alimento, proteção, beleza, cura, transmutação, aroma e poder de adaptabilidade.  Todos os Deva-Rajas existem,por sua vez, sob ação do Grande Espírito Planetário que usa a Terra como veículo, e assim sucessivamente em escalas que escapam até ao mais vasto e profícuo imaginário.

Em síntese, todas as formas da Natureza surgem da Mente Divina e são moldadas pelos Anjos e Devas(e todos os espíritos da natureza subordinados) para que a manifestação das Monadas nos seus mais variados estágios de evolução em qualquer um dos Reinos.




As Hierarquias diretivas são divididas da seguinte forma(de acordo com a tradição Hebraica):

1-A Nuvem das Testemunhas Silenciosas diante do Trono - Serafins,Querubins e Tronos.

2- As Ordens Avançadas - Dominações, Principados, Potestades e Virtudes.

3-As fileiras dos Anjos - Arcanjos, Príncipes Angélicos, todos os anjos de serviço e culto especializado (cerimoniais, musica, cura, etc.).

Em linhas muito resumidas, a primeira classe responde pela manipulação da Vontade, do Amor e da Sabedoria de Deus, agindo diretamente com a Santíssima Trindade. A palavra Hebraica “Serafin” significa “Amor”. Todo ato de amor puro e incondicional recebe a força dos Serafins. Há quem diga que as mais belas e profundas obras de Johan Sebastian Bach e de Beethoven atraíam a atenção dos Serafins,que derramam benções toda vez que as obras desses gênios são executadas. Talvez as músicas reveladas pelos grandes gênios tenham sido uma poderosa linguagem de comunicação com o Reino Dévico. Max Heindel descreve a atuação dos Anjos da Musica no seu livro “O Mistério das Grandes Operas”, assim como Charles Leadbeater e Annie Besant também dão testemunhos das belas formas geradas em concertos clássicos e de como os Devas lidam com elas. Talvez isso explique, pelo menos em parte, o poder reparador que a musica clássica e outras de superior inspiração exercem sobre nós(recordando que a maioria das Grandes Obras Clássicas são Ideias Divinas musicadas  impossíveis de serem postas em palavras, fora que pelo Belo, o alcance é maior).  

A segunda classe regula e organiza a energia emanada pela classe anterior, preparando as forças da Santíssima Trindade para a atividade criadora, que é levada a cabo pela terceira classe onde se incluem os Arcanjos, que são os Agentes Divinos mais ativos, verdadeiros emissários que infundem as mais magnificentes Ideias e Forças no núcleo de cada plano do universo.

Cada Arcanjo pode representar qualquer uma das classes anteriores, como é o caso de Mikael( Literalmente Aquele se assemelha a Deus),  representante das Potestades que é a Ordem responsável pelo combate a ilusão e a dissipação dos véus da separatividade. Mikael é o agente “material” das Potestades. Em algumas representações artísticas Ele é representado segurando um buquê de lírios (símbolo comum a Gabriel) em lugar da espada, no entanto, ambos os símbolos se completam: a espada corta as ervas daninhas, raspa os espinhos e permite que os lírios da pureza cresçam e sejam colhidos. A espada é a vontade, o discernimento espiritual; os lírios a Sabedoria pura e incólume à espera de quem quer e possa colhe-la.






OS ARCANJOS MAIS CONHECIDOS

-Rafael (CURA/MÉDICO DE DEUS): É o agente universal de cura, seja em que nível for, mas também, rege as artes, sobretudo a música.

-Uriel: É o mensageiro da esperança e trabalha como um alquimista no Plano Mental. Inspirou RAMA, um dos Patronos da presente Raça Raiz. Ele faz a conexão entre os mundos inferiores e os superiores dentro da Árvore da Vida.


-Gabriel (GABI=VARÃO + EL=DEUS): É o agente universal das revelações, aquele que fecunda as idéias na substância formativa da matéria física (éter). Apareceu para Maria, Maomé e Zoroastro, assim como para muitos outros canais que tinham funções de caráter coletivo.

-Mikael (Miguel= MIKA+EL= O que É igual a Deus): Inspirou AB-AHAM (ABRAÃO, O Primeiro Pai) e agiu por trás de Joana D’arc. Muito se tem dito e escrito sobre esse Arcanjo, no entanto, pouco é credível em meio a tanta fantasia e interpretações excessivamente devocionais e emocionais.


Os Anjos são vistos como símbolos de pureza,elevação, amparo e cura, todavia, estão existem para que o plano de Amor e Luz se cumpra, posto que sem eles não é possível a comunicação entre as Idéias /Arquétipos Criadores e a existência concreta/fenomênica. Já Os Arcanjos são as inteligências superiores que coordenam a ação dos Anjos e dos espíritos da natureza. Existem Anjos especialmente dedicados para a cura, comumente vistos em hospitais como também em locais onde as pessoas consagram suas energias e habilidades para artes de cura em geral. Existem os Anjos Litúrgicos, que atuam durante os ritos religiosos manipulando as forças ali invocadas e precipitadas para que sejam utilizadas na conexão /aproximação entre os Planos de Consciência Superiores e os inferiores. Durante uma oração centrada no coração e com interesse real e legítimo no bem alheio, sem ranço de desejo egoísta, é possível que certa classe de Anjos recolha as formas pensamento geradas e as encaminhem para a finalidade a que se destinam( entendam que não falamos aqui em desejos pessoais e nem tele-anjo). A verdade é que os Anjos estão sempre à serviço de tudo que conspira pelo Bem e que gere harmonia no corpo de Deus, do qual somos células.



Um Deva da Cura


O assunto é muito mais vasto e complexo do que imaginamos, tendo inclusive sido comentado pelo Mestre D.K (O Tibetano) como sendo "um tema por deveras complexo que exigiria vários volumes com milhares de páginas". Ele quis dizer que uma coisa é a abordagem mística e devocional(a mais comum),outra a ocultista e esotérica. O fato é que mesmo para os Mestres do Quinto Reino da Natureza não é simples encontrar termos ou símbolos suficientes para descrever o que realmente representa essas correntes evolutivas distintas da humana. Nossa própria limitação psíquica e seu contêiner de crenças contribuem para que a dificuldade aumente. Não é sem razão que antropomorfizamos os "Deuses" para identifica-los e aproxima-los de nós.

Arcanjos principais:
Cada Arcanjo rege as funções de uma Sephirat** específica (plano de atividade). Sendo dez o número de Sephirot, temos dez grandes Arcanjos:

KETHER: METATRON
CHOCKMAH: RATZIEL
BINAH: TZAPHQUIEL
CHESED: TZAQUIEL
GEVURAH: KAMAEL
TIPHARET: MIKAEL
NETZACH: HAMIEL
HOD: RAFAEL
YESÓD: GABRIEL
MALKUT: SANDALPHON

OBS: Cada Arcanjo é um "Colegiado" de Arcanjos que trabalha dentro de linhas de ação especificas.  Isso significa que os seus nomes simbolizam as qualidades ou tônicas dessas coletividades. O nome Raphael, por exemplo, se refere a uma "Ordem de Arcanjos" responsiva pela Cura, reparação e regeneração de todo um sistema.  O mesmo vale para as demais. E fora essas ordens conhecidas, existem muitas outras pouco citadas, mas ingualmente importantes dentro da Hierarquia Cósmica. Exemplos: Uriel e Jofiel. 

Árvore da Vida/ Sephirótica (OTZ CHAIM)







(*) Notas:
* Mônada: Do Grego mono(indiviso, inteiro), termo cunhado pelos Teósofos(utilizado pela primeira vez por Leibnitz) para designar o verdadeiro espírito, que é uma individualização de Deus, O LOGOS do nosso Sistema Solar. A Monada é idêntica ao Pai em potencialidade, trina em essência(Vontade do Pai , Amor-Sabedoria do Filho e Inteligencia Criadora do E. Santo). Porém, como dizia Huberto Rohden "o Homem é potencialmente Divino, ou seja, da potencia para a plenitude do potencial é preciso ação(evolução)". A evolução permite a revelação do potencial implícito como poder criador explícito. A Monada quando se reveste do Reino Humano desenvolve Manas(razão),e diferentemente da sua passagem pelos Reinos anteriores,aqui ela atua por meio de uma Alma individualizada e uma personalidade. Nos reinos abaixo ela se manifestava através de coletividades(alma grupo) . No nosso sistema solar existem 60 bilhões de Monadas, sendo que uma pequena fração desse total está em manifestação. Uma Monada se demora centenas de milhões de anos para explorar um Reino. Daí que os Ensinamentos revelam que existe um vastíssimo esquema evolutivo muito mais complexo do que aquele oferecido pela ciência ortodoxa. Na Cosmogenese e na Antropogenese Teosófica nos é apresentado esse plano, porém, a nós não compete adentrar nessa seara, apenas informar que a evolução não dá saltos e que o simplório não tem lugar nos ensinamentos... 


**Sephira: Literalmente "medida". No plural Sephirot, especializações da Energia Criadora de D’us, diferenciações do Alento UNO que se manifestam como mundos, tônicas, frequências, dimensões, níveis de consciência, disciplinas, etc. Todos os Arcanjos habitam o Triangulo Divino da Árvore Sephirotica, mas estão relacionados às suas respectivas Sephirot de Domínio através do núcleo/ centro delas, fora os Anjos que respondem à Eles.

(Continua na segunda parte)


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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pérolas dos Ensinamentos : As Regras da Senda Espiritual

As Regras da Senda
(Regras do Caminho)




-A Senda é trilhada em plena luz do dia. Nada pode ser escondido, e a cada volta, o viajante  deve confrontar-se consigo mesmo. Conforme avança, leva consigo uma parte do guardião do umbral planetário. Quando um Iniciado se torna um Adepto ele leva ao Adeptado uma porção da Humanidade. Isso precisa ser meditado pelo Aspirante desenvolvido, pois o comum não pode encetar tamanho esforço. Seu guardião pessoal ainda está por deveras ativo. Quem pensa no caminho como uma realização pessoal ainda está cativo do guardião e, portanto, não pode contemplar a cadeia do infinito. Assim, somente o coração esquecido de si mesmo consegue chegar até Nós e ser acolhido como um canal para escoar o Fogo da Hierarquia. Mas ele escoa o Fogo do Coração do Mundo na proporção em que escoa a dor do mundo. O Buda ensinou isto. Poucos, de fato, o compreenderam.

-No Caminho o escondido é revelado. Cada um vê e sabe da vileza de cada outro (Não posso encontrar nenhuma outra palavra que designa a estupidez não revelada, a baixeza e ignorância crassa, e o auto-interesse que são as características distintivas do aspirante comum). E, no entanto, com aquela grande revelação, não há retorno, não há rejeição de uns aos outros, e não há debilidade na Senda. A Senda segue em direção ao dia. Vê a vileza do outro para despertar a máxima compreensão, esse bálsamo do coração, pois na medida em que vejo a vileza do outro, também estou visível a quem me estende a mão um degrau acima.

-Ninguém percorre o Caminho sozinho. Não existe afobação nem pressa. E, no entanto, não há tempo a perder. Cada Peregrino, sabendo disso, força seus passos para frente e se encontra rodeado por seus companheiros. Alguns caminham à frente: ele segue. Alguns caminham atrás: ele estabelece o ritmo. Ele não viaja sozinho. A sensação de solidão é uma miragem a ser superada, ainda que estar sozinho possa inicialmente ser uma condição desejável quando as forças da Alma são transferidas para a personalidade. A ebulição dos fogos sutis pede reclusão  e reserva.


-Três coisas o Peregrino deve observar:
 Usar um capuz, a máscara que encobre seu rosto dos outros; levar um cântaro com água somente para suas próprias necessidades; carregar nos ombros um cajado sem um gancho para segurar.

-Cada Peregrino na Senda deve carregar consigo aquilo que ele precisa: um braseiro, para aquecer seus companheiros; uma lanterna, para iluminar seu coração e mostrar aos seus companheiros a natureza de sua vida velada; uma bolsa com ouro, que ele não espalha na Estrada, mas divide com os outros; um vaso lacrado, onde ele leva todas as suas aspirações, para depositar ante os pés Daquele Que aguarda para recebê-lo no portão - um vaso lacrado.

-O Peregrino, à medida que percorre o Caminho, deve ter o ouvido aberto, a mão generosa, a língua silenciosa, o coração purificado, a voz suave, o passo rápido e o olho aberto para ver a Luz. Ele sabe que não viaja sozinho.




Do livro Miragem: um problema mundial, de Alice A. Bailey

Magia ou Mágica? Ilusão ou Iluminação? (atualizado)

MAGIA OU MÁGICA? FEITIÇO OU ILUMINAÇÃO?


Por Marcio Isael Larsen 


No excelente desenho “Fantasia” de Walt Disney, feito originalmente em 1946 e que ganhou uma versão no ano 2000 (intitulada Fantasia 2000).
Ao ver esse desenho encantador constituído por segmentos animados baseados em peças da musica clássica que lhes dão "forma e conteúdo", destacamos “O Aprendiz de Feiticeiro”, protagonizada pelo seu mais famoso personagem: Mickey. Mas por que esse segmento em especial se destaca? Pelo seu teor iniciático transmitido com a graça e a maestria comum aos verdadeiros gênios.

A história se desenrola sob a musica de Paul Dukas(criada a partir de um conto de Goethe) na qual o carismático ratinho vive um desengonçado aprendiz de feiticeiro sob a orientação de um severo Mestre-Mago, que tem a honra de abrir o "conto" de forma magistral:  ele aparece criando, a partir de uma substancia que ele manipula de um caldeirão, uma forma-pensamento inicialmente assombrosa similar a um morcego, mas que logo é transformada em uma bela borboleta. E isso já nos diz muito: revela que o Mestre tem o Poder e a Sabedoria para manipular e transformar a "matéria" psíquica ( e até a matéria física em alguns casos)inferior, crua e impura em uma substancia pura e diáfana(decantação) capaz de servir as ideias e aos pensamentos superiores. Um aprendiz, mesmo que dispusesse de conhecimento e habilidade suficientes para manejar a matéria astral talvez fracassasse em seu intento face às emoções e paixões ainda pulsantes. Os resultados de experimentos dessa natureza levados a cabo por impúberes psíquicos são sempre desastrosos e danosos.  

Notamos que o Mago veste uma indumentária Azul, enquanto que o seu aprendiz veste uma na cor vermelha, detalhes muito significativos: o Azul simboliza a Vontade, enquanto o vermelho encarna o desejo, princípios nem sempre distinguíveis no modo, não obstante, muito diferentes na essência. E Walt Disney parecia saber disso(Goethe por certo que sabia)! O fato do Mestre trajar uma veste azul demonstra que a Vontade do Espírito é o poder que rege os seus atos; e vontade significa ação direta da essência, sem passar pelas inclinações, tendências e carências do ego,nem tampouco pelos seus temores. E o desejo? Se tomado por si mesmo é um poder essencial, uma força vital que nos tira da imobilidade e que serve sim à evolução, desde que seja mormente contrabalançado pela razão, porque caso não haja um sensor analítico-racional para dar limite aos desejos, nos tornamos escravos dos seus objetos. 

O chapéu do Mestre-Mago é ornado com estrelas, simbolizando que ele está conectado com a dimensão Cósmica da vida. Mas essa conexão só é possível porque ele mesmo é como uma estrela: gera luz própria, ou melhor colocando, reconheceu a própria luz e age a partir dela. O chapéu pontudo e iluminado é como uma "extensão" do seu centro coronário, que nele opera como uma antena capaz de sintonizar as mais altas frequências. Já o chapéu do nosso simpaticíssimo protagonista não possui um chapéu, porém...

O Mestre-Mago, após um dia de serviço consagrado a "transubstanciação da matéria" se recolhe para descansar, deixando o seu chapéu sobre uma mesa. Em seguida ele “sobe a escada" para momentaneamente se retirar. Mickey até então se contentava em lavar e varrer o chão em um dia a dia aparentemente entediante, afinal, enquanto ele se deslumbrava com os fetos do  Mestre, sua “magia” era fazer o que todo mundo faz, ou seja, o que nenhuma pessoa "normal" deseja fazer: as tarefas cotidianas que se repetem à exaustão, os serviços mais básicos que gostaríamos de delegar a outro sem pestanejar.




Mas eis que o nosso querido ratinho vê à sua frente a maior das chances de poder se “igualar” ao seu mentor: Ele veste o chapéu do Mestre! Meio torto e desajeitado sobre a sua cabeça, o chapéu parece que não lhe cair bem por ser "desproporcional ao seu tamanho",  simbolizando que não podemos “vestir” o que não nos cabe e que não nos pertence por direito adquirido. 




De posse do novo e poderoso instrumento de poder, Mickey resolve arriscar um “encantamento” para a sua velha conhecida e inseparável colega de labuta: a vassoura. Do "alto" da sua condição de aprendiz, ele se gesticula por inteiro(uma cena impagável e hilária tocada pela trilha impecável), fazendo das suas mãos o equivalente a vara de condão (que é uma extensão do Poder Criador). Após certo esforço ele consegue lançar um feitiço e  "acoplar" o seu corpo de desejos à vassoura, dando-lhe "vida" e criando, inclusive, membros para que ela desempenhe eficiência uma das tarefas que mais o exauria: encher baldes com a água de uma fonte e despeja-la em um "poço" localizado do outro lado do castelo. Desnecessário dizer o quanto nosso aprendiz fica emocionado e radiante, se sentindo “poderoso” e orgulhoso, um verdadeiro mago no seu entendimento. E o melhor: o trabalho "pesado" ficou a cargo do “elemental” plasmado na vassoura. E a cena, uma das mais hilárias e empolgantes, é perfeitamente narrada pela musica irretocável contendo em notas e acordes a sabedoria de Goethe!


A energia do desejo do aprendiz foi amplificada pelo chapéu já magnetizado pela vontade do Mago, no entanto, enquanto Mickey entra no modo “mago” e delega suas tarefas ao Elemental ele se acomoda e acaba adormecendo. Então, como em um "passe de mágica" ele sai do seu corpo e flutua em corpo astral (e para o plano astral) até o alto de um penhasco no qual ele se posiciona como um maestro para viver seu sonho mais delirante: comandar, onipotente, as forças e os elementos da natureza desde as águas do mar que arrebentam poderosas contra o seu pináculo de rocha até as nuvens ribombando trovões passando por estrelas e cometas riscando o céu num frenesi de sons, luzes e cores em um espetáculo quase pirotécnico. E como não podia ser diferente, somos envolvidos pela graça, força e beleza da cena desenhada pela música grandiloquente tal e qual o seu "maestro"! 

Mas não há delírio que dure tanto para que deixe de ser breve: na sequencia do seu sono tomado por trovões e ondas gigantescas, o “mago” é abruptamente acordado em meio a um evento inesperado: enquanto ele exercia seus poderes em sua miragem astral, a sua serva vassoura continuou, descontrolada, a encher o poço até transbordar e  inundar o castelo. Esse alagamento fez com que a sua cadeira boiasse e ele despertasse daquele delírio, que numa certa altura, parecia igualmente descontrolado.
A água tanto pode conduzir como desviar, nela podemos flutuar ou afundar, nadar ou nos afogar...


Sabemos que o elemento água está relacionado com a emoção e com o desejo, pois ambos nos arrastam feito uma correnteza uma vez que não estejam sob ação diretiva da razão pura e da vontade. E o dileto aprendiz está numa situação sobremaneira delicada por desconhecer uma regra básica da magia organizada: o encanto feito com conhecimento deve ser desfeito com sabedoria. Mas ele não fez o encanto com conhecimento suficiente e tampouco tinha sabedoria para desfaze-lo. E assim são os desejos: por mais difícil que seja satisfaze-los, mais difícil ainda é desfaze-los. Em suma: o feitiço virou contra o feiticeiro, simples assim e como reza a expressão popular.

Num rompante desesperado, ele pega um machado e parte a vassouras em vários pedaços no intento de destruí-la, um momento do desenho anacrônico talvez porque nunca imaginamos um Mickey violento; e porque é uma passagem tensa que dá um "banho de água fria" na graciosidade comum a animação. Seja assim ou não(porque  pouco importa, afinal) o fato é que o aprendiz após despedaçar sua assistente descontrolada pensou ter se livrado do pesadelo, porém, não se conserta um erro cometendo um erro maior:  ele "matou" a vassoura, mas o elemental não. Com efeito a misteriosa sentença “matar é multiplicar” se fez entender claramente ao ele ver que de cada pedacinho da vassoura tantas outras nasciam até formar um  exército de  munido com baldes e sedentos por mais água(desejo).

Mickey estava desesperado, apavorado e impotente, praticamente "afogado" em seu desespero sabedor que nenhuma mágica, truque ou poder psíquico fariam efeito. E ficou patente a sua completa  falta de maturidade, temperança e autocontrole, requisitos indispensáveis para um Mago. E para agravar o seu pânico o Mestre poderia surgir a qualquer momento e puni-lo severamente, quem sabe, transforma-lo num sapo, rsrs.

Mickey se meteu em apuros por tentar ser o que não podia na hora errada, fora de tempo. Potencialmente ele tinha os mesmos poderes e faculdades do seu Mestre, destarte ainda tivesse muito o que aprender para ser. No meio daquele redemoinho de turbilhões emocionais ele busca socorro num livro no qual tenta achar "o encanto para o desencanto", contudo, mesmo que ele o achasse de nada adiantaria, pois naquele estado aviltado de consciência qualquer coisa que ele fizesse só poderia agravar ainda mais a situação, sem contar que ter conhecimento difere de saber! Ele poderia teoricamente compreender os procedimentos para desfazer o elemental, mas faltava-lhe a vivência prática que confere o tom adequado para cada situação e cenário. Em síntese, como ele ainda não saboreou a informação e os ensinamentos do Mestre, o conhecimento, se obtido, seria inócuo mesmo se ele estivesse "com a cabeça no lugar"(menos irascível). Quantos conhecimentos adquirimos sem que nossos atos necessariamente correspondam aos mesmos? Como rezam os orientais, “falar arroz não cozinha o arroz”.



quando tudo parecia perdido eis que surge o Mestre-Mago, esse sim onipotente no seu domínio, tanto que ao presenciar aquele espetáculo tragicômico abre caminho como moisés o fez, por entre o "mar vermelho das emoções e dos desejos" para restituir a ordem natural das coisas e "salvar" seu tolo aprendiz do próprio “feitiço”. Um detalhe assaz importante na representação do Mestre é a aura amarelo-dourada que o envolve, uma alusão clara ao princípio da Sabedoria.

Em “desencanto” e com cara de quem sabe que fez o que não deveria, Mickey pega os baldes sob o olhar severo do Mestre Mago, que com a vassoura em mãos (e devolvida a sua condição original) poem o seu discípulo no seu devido lugar para que reassuma os  seus afazeres, afazeres que provavelmente esse mesmo Mestre quando discípulo sob a tutela do seu Mestre também os fez.


O que mais podemos aprender e apreender com esse fantástico desenho? A maior lição está na humildade em saber executar com honra e boa vontade as tarefas mais básicas e essenciais, aquelas sem as quais as maiores não se alicerçam no mundo.  

O Mestre-Mago do desenho é fiel aos verdadeiros Mestres Adeptos da Boa Lei: vive recluso e não possui um séquito de adoradores, apenas um aprendiz que certamente tem as suas virtudes, pois do contrário não estaria ali. Mas o aprendiz parece ignorar esse privilégio ao se recusar a cumprir as suas obrigações rotineiras, pois ele deseja receber lições de magia (ou seria mágica, ilusionismo???), quer ser iniciado nas "artes secretas"  talvez até com o intento de fazer o bem, alhures fazer o bem sem saber “bem” como faze-lo  e o que fazer, pode resultar em um grande “mal”. E de certa forma, foi isso que aconteceu.

Um fato curioso é que nos mosteiros ,sejam Budistas, Cristãos ou Hinduístas  os monges em geral estão sempre cumprindo tarefas comuns, tais como varrer, lavar, plantar, colher e cozinhar. Não os encontramos levitando e nem desmaterializando objetos, ou seja, nenhuma ação extraordinária que justifique diferencia-los de qualquer um de nós, salvo a obediências às regras e as disciplinas monásticas(improváveis de serem assimiladas pela maioria de nós). O que presenciamos nesses ambientes são pessoas ordinárias realizando o dia a dia de forma extraordinária, entrementes seja até possível que alguns desses aprendizes já tenham algumas faculdades "sutis" despertas, direcionadas, mormente, para fins diversos daqueles que quase custaram a vida do nosso ratinho.

Como a humanidade ainda é deveras infantil e deslumbrada, leviana e suscetível a “encantamentos”, os Verdadeiros Mestres sabem que despertar sentidos "extra-supra sensoriais" é perigoso. No livro "A Voz do Silêncio", de H.P.Blavatsky consta, logo no inicio das regras para o discipulado, o seguinte alerta: "Estas instruções são para os que ignoram os perigos dos Siddhis inferiores". Os Siddhis inferiores são justamente as faculdades psíquicas que abrangem várias formas de energias astral e mental grosseiras veiculadas por meio da kundalini , que no individuo pouco desenvolvido espiritual e psicologicamente se manifesta como força puramente sexual.  Em contrapartida, os Siddhis Superiores só são despertos quando a Vontade Pura tem a Compaixão como expressão dominante. 
A verdade é que em nosso estado vigente, caso fossemos investidos de tais Siddhis seríamos todos magos negros, e por certo já teríamos nos autodestruídos.

Vejamos Jesus: A Ele são atribuídos milagres, o que não nos espanta em face dos seus sentidos físicos serem extensões dos seus sentidos superiores, mas cremos, no entanto, que alguns desses milagres encobrissem ações e gestos mais profundos.  Por exemplo: O milagre de caminhar sobre as águas  foi uma maneira de representar a transcendência das emoções e dos desejos, alhures transformação da água em vinho simbolizasse a transmutação das emoções no vinho da consciência Crística desperta. Por fim, a graça de ter dado "visão aos cegos", pode ser uma referencia a "cegueira espiritual". Ele mesmo disse: "OS HOMENS TEM OLHOS, MAS NÃO ENXERGAM".

Em suma, não devemos "apressar o curso do rio", nem tampouco, cobiçar o que não temos capacidade de sustentar e exercer. O desenho do grande Walt Disney é uma graciosa e deliciosa lição que tem, nas palavras de Jesus a síntese perfeita: "COMO QUERES DAR CONTA DAS GRANDES COISAS SE NÃO CONSEGUES DAR CONTA DAS PEQUENAS?". 




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A IDADE DE FERRO: KALI YUGA

KALI  YUGA





Saudações Amigos e Companheiros de Jornada!

Selecionamos,dentre tantos textos importantes e significativos,um que certamente já impactou milhares de pessoas e que impactará  quem ainda não o leu. Trata-se de uma pequena passagem de uma das mais importantes obras religiosas da Tradição Sanatana Dharma Hindu: O Vishnu* Purana,um dos 108 Puranas ( livros ) que formam o eixo diretivo do Vedanta (junto aos Upanixades).
Nas páginas dessa valiosa obra existe uma Profecia que descreve,em pormenores,as características mais  da idade então nascitura: A Kali Yuga** ( Idade da Morte,ou Negra,também denominada de Idade do Ferro). 

A razão de postarmos esse texto reside na sua incrível precisão na descrição dos traços mais marcantes da Kali-Yuga, traços  inclinados para a degradação do gênero humano, de tão retrógrados e autodestrutivos. O desfilar explícito de valores e comportamentos nefastos entranhados no comportamento da humanidade atual não é nada inédito ,porém, em nosso presente planetário dispomos de recursos extremamente poderosos para a propagação de várias formas de subversão em escala global, sem as restrições tempo-espacial de outrora. Por ser um ciclo de obscurecimento Espiritual,os perigos são sorrateiros, dissimulados e revestidos com tons de normalidade. Um certo conformismo assume nosso juízo e passamos a legitimar absurdos. 


Devido a prevalência do aspecto forma na Kali-Yuga (culto ao aparente e a materialidade como realidades únicas),cuja inércia imobiliza a psique humana na linearidade e na horizontalidade de uma inteligencia puramente concreta a humanidade criou uma blindagem quase intransponível para as dispensações oriundas dos planos de consciência mais elevados. É interessante notar,não como espectadores,mas como co-participes e seres sujeitos a essa gravidade que muitas das inversões de valores descritas na Profecia moldam grande parte dos nossos juízos e escolhas (Leiam atentamente o trecho em negrito) ,uma vez que formam muito do nosso sistema de crenças coletivo.








Nossa intenção é promover em cada pessoa que se debruçar sobre essas palavras mais responsabilidade quanto a natureza das suas escolhas e intenções,sobre as suas reais motivações e juízos. Por outro lado, não é nossa intenção fazer com que saiamos à propagar esse texto(que é sagrado) como catastrofistas inveterados,pois disso já estamos cheios e disso não carecemos (por nada acrescer). Precisamos sim,refletir de forma imparcial sobre até que ponto não estamos psiquicamente encobertos e condicionados pela disfuncionalidade dessa Era, que tanto nos distanciou do simples e essencial e nos resfriou mediante as Boas Novas do Espírito. Portanto,deverá essa mensagem do Vishnu Purana ter um caráter pró-ativo e reparador no sentido de promover uma reavaliação de conceitos e uma constante observação sobre nosso modo de pensar e agir. Precisamos recorrer às muitas ferramentas legadas pelos Iniciados e Mestres de outrora para que tenhamos competência e habilidade no exercício de superar esse período de grandes provações coletivas. No passado nossas sombras mais profundas eram expiadas dentro de câmaras probatórias,éramos submetidos à árduos ordálios pessoais que colocavam à prova nossa resiliência, honra e fidelidade. Hoje,porém, o mundo em si é a grande câmara expiatória e o maior dos ordálios a ser superado. Para quem tem olhos de ver e coração de sentir,sabe que essa idade densa e resistente estimula a força do espírito ,que por entre as menores brechas faz a sua infinita Luz penetrar e redimir tudo o que ela toca e desperta.


Que possamos,então,fazer da idade de ferro uma idade de superação e de exercício da Vontade, da sabedoria e da Inteligencia que constituem nosso Ser Real,e assim, alinhados com a Grande Obra cumprirmos nosso propósito maior: Reconhecer que somos Deus em Ação e sermos co-criadores de um mundo encimado no Bem,no Belo e na Verdade.


Vishnu Purana:

"Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas. Cobiçarão as mulheres dos outros. Terão poder limitado, suas vidas serão curtas e seus desejos insaciáveis. Gentes de vários países, unindo-se a eles, seguirão seus exemplos. E, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza (espiritual) e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo. A classe será conferida unicamente pelos haveres. A riqueza será a única fonte de devoção. A paixão o único laço de união entre os sexos. A falsidade o único fator de êxito nos litígios. As mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sensual ( sexual). A aparência externa será o único distintivo entre as diversas ordens de vida. A falta de honestidade, o meio universal de subsistência. A fraqueza a causa da dependência. A liberdade valerá como devoção. O homem que for rico será reputado puro. O consentimento mútuo substituirá o casamento. Os ricos trajes constituirão a dignidade. Reinará o que for mais forte,e o povo, não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos valesAssim, na idade de Kali a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaya). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a terra uma parte Daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar). Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra, e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas para que se tornem tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior)."



A profecia acima ganhou notoriedade quando Helena Petrovna Blavatsky a divulgou em 1888 na sua obra "A Doutrina Secreta",sendo digno de nota que mesmo para o final do século XIX alguns dos eventos descritos no vaticínio soariam exagerados!


Notas::

* Vishnu: Segunda Pessoa da Trimurti Hindu junto a Shiva e a Brahmâ, responsável pela coesão do universo através da Consciência e do Amor. Shiva é a Primeira Pessoa e personifica a Vontade Absoluta do Puro Ser, enquanto Brahmâ se manifesta como Terceira Pessoa através da Inteligencia Universal Criadora. Ambos estão umbilicados à Vishnu. Vishnu é um Princípio de Brahman(Deus) que foi representado aqui na Terra através de alguns Avatares, sendo Krishna o mais conhecido e reverenciado na Índia, mas também se manifestou através de Rama e de Sidharta Gautama, O Buda. Sendo equivalente ao Filho na Trindade Cristã, Cristo também é um Avatar de Vishnu.



 Vishnu, Segunda Pessoa da Santíssima Trinadade Hindu


**São quatro as Yugas: Satya Yuga, Treta Yuga, Dwapara Yuga e Kali Yuga,conhecidas exotericamente como Idades do Outro,Prata,Bronze e Ferro respectivamente. 
 A Idade de Kali começou há 5.000 anos atrás,tendo sido proferida pelo Senhor Krishna antes da sua morte. Foi prevista para durar 432 mil anos no seu ciclo cósmico,e constitui a quarta e mais densa das quatro Yugas. Até agora a profecia se cumpriu, diríamos até com excessos,porém,já se faz perceptível a proximidade de um novo subciclo dentro da grande idade de Kali correspondente a Idade de ouro (Satya ou Kritya Yuga). 
A proximidade de uma idade de ouro provoca abalos profundos nos fundamentos da humanidade, fazendo emergir as sombras escondidas no subconsciente coletivo, desencadeando crises estruturais positivas,posto que uma vez vista a sombra fica mais acessível ao homem poder fazer escolhas menos cegas e impulsivas para fazer escolhas mais conscientes e orientadas para o Bem Maior. 



Senhor Nara-Sinha, O Avatar Leão, encarnação Mitológica de Vishnu, aqui destripando Hiranyakashipu que é a personificação do poder material.